Aquela sensação maluca de quando
você sabe que não está sonhando, mas mesmo assim não consegue acreditar no que
vê. Foi assim quando aquele estranho, que prometia a mudança de nossas vidas se
foi. Eu não sabia absolutamente nada sobre ele, mas o choque me fez parar e
repensar tudo.
Eu o
havia visto um dia antes e isso fez o choque duplicar a ponto de quase poder se
esgueirar para fora de mim.
Era o
típico problema nacional. Como num mundial em que todos defendem a nação e
temos aquela breve sensação de união. De que somos parte da mesma coisa. Aquela
morte eventual nos trouxe isso à tona naquela quarta-feira. (porque as pessoas insistem em morrer em
quartas feiras?) Porque no fundo tudo que queremos na vida é fazer parte de
alguma coisa, qualquer coisa.
Naquela
hora, não tínhamos times, cor, raça, sotaque, pobre, rico, etc. Por nem que
fosse um quarto de hora, éramos a mesma coisa e agíamos como tal.
As
dificuldades e tragédias unem as pessoas. Por mais mórbido que seja é a
verdade. Enquanto estamos afundados em um problema que ambas as partes se
afetam, há unidade, superamos valores morais por isso. Quando resolvido,
voltamos a ver o que nos tornava tão diferentes.
Eu
tenho uma teoria. Precisamos uns dos outros para isso, para superar problemas. É
um senso de auto preservação, ligamos o estado “coletivo” como os animais. (no fundo temos idéias apenas um pouco mais evoluídas,
mas de menos conceito). Farei uma ligação estranha. Os contos de fadas
acabam exatamente na parte de que tudo foi resolvido, em que não há mais
conflitos entre a bruxa má e a mocinha. Porque depois disso, o que mantém os
personagens unidos? Cada um fará seus felizes para sempre, sem o objetivo
comum. Por isso a vida é exatamente como os contos de fadas, precisamos nos
unir para derrotar bruxas más, mas é bom que o estado de perfeição não chegue,
porque isso tronaria ajudar as pessoas inútil, o que levaria a gostar de
pessoas inútil, o que tornaria inútil amar alguém.
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