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domingo, 7 de dezembro de 2014

Fenestra Luzente

Na calada das onze às duas da madrugada, quando geralmente se está quieto, confortável e escuro, sempre me via parada na entrada do quarto vazio. Algumas vezes em meio a uma neblina sombria, outras no calor da liberdade, parava no portal e olhava através do vidro uma janela acesa, uma única solitária janelinha iluminada naquele prédio cinzento.

Há uma donzela de tenra idade tentando olhar a si para saber quem é, usando a nostalgia das primeiras horas, ela rabisca numa folha manchada sem realmente olhar para o desenho.

Há um master primaveril deslocado lançado por sobre uma poltrona com uma garrafa de qualquer coisa se perguntando o que faz no mundo.

Por que na verdade mais nívea ninguém realmente sabe o que fazer com a própria vida.


Ou apenas há uma luz com mau contato.



O que importa é que de algum modo quando olho para aquela janela acesa por um motivo inexplicável não me sinto sozinha. É reconfortante olhar aquele ponto de luz na alameda silenciosa. É esperança.