Na calada das onze às duas da madrugada, quando geralmente
se está quieto, confortável e escuro, sempre me via parada na entrada do quarto
vazio. Algumas vezes em meio a uma neblina sombria, outras no calor da
liberdade, parava no portal e olhava através do vidro uma janela acesa, uma única
solitária janelinha iluminada naquele prédio cinzento.
Há uma donzela de tenra idade tentando olhar a si para saber
quem é, usando a nostalgia das primeiras horas, ela rabisca numa folha manchada
sem realmente olhar para o desenho.
Há um master primaveril
deslocado lançado por sobre uma poltrona com uma garrafa de qualquer coisa se
perguntando o que faz no mundo.
Por que na verdade mais nívea ninguém realmente sabe o que fazer com a própria vida.
Ou apenas há uma luz com mau contato.
O que importa é que de algum modo quando olho para aquela
janela acesa por um motivo inexplicável não me sinto sozinha. É reconfortante
olhar aquele ponto de luz na alameda silenciosa. É esperança.
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