"Ás vezes pode-se escolher entre o caminho do anonimato e os rudimentares holofotes. Quando se é da realeza todos mostram admiração, não por se ser bom, mas porque convenceu a todos que é bom. Eu tive a chance de me sentar naquele trono dourado e vazio, mas não o fiz. Simplesmente porque sei -agora mais do que nunca- o que as abelhas pensam da abelha rainha. Hipócrita, fria e que sua vida é tão importante que a dos outros nem importa. Quem mais quer estar no topo é o menos indicado para isso. Não queria olhar no espelho e ver um rosto pálido de lutar por um trono todos os dias que ao invés de propagar os valores que sempre me achei no direito de reivindicar da realeza, esmaga-os sobre a curva das vontades individualistas ao extremo. Nestas quatro voltas do relógio não há mais barreiras entre mim e todos, foi o que fiz nos dias de inverno, lutar contra a vontade de domínio nata de um ser humano. Nada mais do que a aura-coroa que qualquer disgraziato pode reconhecer como auxílio não entrave. Porque a única justificação de poder absoluto... é a mente egocêntrica absoluta..."
Um pássaro cinza escuro chiou no alto da escada que levava a ala oeste e ela concluiu:
"Carbono e água almejando dominar carbono e água, o que importa ao final?"
Virou-se despreocupada e foi comer uma maçã.
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