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segunda-feira, 16 de junho de 2014

A Realeza do Carbono 14

Um dia aquela ragazza de olhos curiosos que deveria talvez ter nascido na Renascença Italiana, disse para os tijolos claros de um dos agridoces castelos de Florença...

"Ás vezes pode-se escolher entre o caminho do anonimato e os rudimentares holofotes. Quando se é da realeza todos mostram admiração, não por se ser bom, mas porque convenceu a todos que é bom. Eu tive a chance de me sentar naquele trono dourado e vazio, mas não o fiz. Simplesmente porque sei -agora mais do que nunca- o que as abelhas pensam da abelha rainha. Hipócrita, fria e que sua vida é tão importante que a dos outros nem importa. Quem mais quer estar no topo é o menos indicado para isso. Não queria olhar no espelho e ver um rosto pálido de lutar por um trono todos os dias que ao invés de propagar os valores que sempre me achei no direito de reivindicar da realeza, esmaga-os sobre a curva das vontades individualistas ao extremo. Nestas quatro voltas do relógio não há mais barreiras entre mim e todos, foi o que fiz nos dias de inverno, lutar contra a vontade de domínio nata de um ser humano. Nada mais do que a aura-coroa que qualquer disgraziato pode reconhecer como auxílio não entrave. Porque a única justificação de poder absoluto... é a mente egocêntrica absoluta..."

Um pássaro cinza escuro chiou no alto da escada que levava a ala oeste e ela concluiu:

"Carbono e água almejando dominar carbono e água, o que importa ao final?"

Virou-se despreocupada e foi comer uma maçã.

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